Slide 1 – Complemento é provavelmente o mais importante componente humoral do sistema imune não específico. E é porisso que vamos dedicar mais tempo a ele.
Slide 2 – Vamos entrar em detalhes sobre como ele funciona. Deixe-me dar um pouco da base histórica.O complemento foi descoberto por esta pessoa, o Bordet. O que ele notou foi que se você tirar soro fresco e você adicionar bactéria ao soro fresco a bactéria vai morrer, ela vai ser lisada.
Ele chamou esta substância capaz de fazer isso de complemento.
Ele também mostrou que o que quer que fosse o complemento ele era lábil porque se você aquecer o soro a 56 graus C você destrói esta habilidade. Então, complemento era algo que estava no soro, que podia lisar bactéria mas que era termolábil.
Slide 3 – Além dessa habilidade de lisar bactéria, o complemento tem muitas outras propriedades que podem beneficiar o hospedeiro:
Alguns componentes do complemento agem como opsoninas. Eles se ligam às bactérias tornando essas bactérias mais atraentes para as células fagocíticas.
Alguns dos componentes do complemento atraem e ativam as células fagocíticas.
Complemento está também envolvido na regulação da resposta imune.
Componentes do complemento estão envolvidos na eliminação de complexos imunes que se formam e na eliminação de células apoptóticas também. Portanto, complemento realiza várias funções diferentes.
Mas ele pode ser também prejudicial. Ele contribui para a inflamação e se não for controlado ele pode levar à anafilaxia. Alguns dos componentes do complemento podem induzir ao choque anafilático.
Slide 4 – Bordet descreveu sobre algo chamado complemento no soro que lisa bactéria. Hoje sabemos que existem cerca de 20 a 30 componentes diferentes que fazem parte do complemento. E a nomenclatura às vezes é confusa. Complemento tem uma série de componentes que são indicados pela letra C seguida de um número. Então temos os componentes de C1 a C9. C quer dizer complemento. C1 é na verdade composta de 3 proteínas separadas: C1q, C1r, C1s,.
Temos também vários componentes chamados fatores: Fator B, D, H, I. Tem também outro fator chamado properdina ou fator P.
Temos também coisas como lectinas ligadoras de manose ou MBL, proteases de serina associadas a MBL (MASP-1 MASP-2).
Há também os elementos que agem como fatores de controle como o inibidor C1. Vamos ver o que ele faz. Proteína ligadora de C4, fator de aceleração de decaimento, receptores de complemento, proteína S, tudo isso é parte desse sistema que chamamos de complemento. E vamos ver qual o papel desses componentes.
Slide 5 – Aqui estão alguns termos que são comumente utilizados quando falamos de complemento. Quando dizemos “ativação do complemento”, o que queremos dizer com isso? É a alteração de um dos componentes do complemento que permite que ele interaja com o próximo componente. O sistema complemento é parecido com o sistema de coagulação onde um componente é ativado e faz alguma coisa com o próximo componente, que por sua vez faz alguma coisa com o próximo componente e assim por diante. Isso é uma cascata de eventos. Quando um componente é ativado ele é capaz de agir no próximo componente.
Fixação do complemento é um termo que será utilizado muito e se refere à utilização do complemento por complexos antígeno-anticorpo. Se você tem um complexo antígeno-anticorpo, o complemento vai ser usado e vai ser ativado. Isso é o que quer dizer fixação do complemento. E você vai dizer: O anticorpo fixa o complemento, por exemplo.
A maneira como o complemento é medido é em termos de unidades hemolíticas.
Quando você tem uma amostra de soro que enviou para o laboratório e você vai querer saber os níveis de complemento naquele soro do seu paciente, você provavelmente vei ter de volta um resultado dizendo que o paciente tem tantas unidades hemolíticas.
A unidade hemolítica que é muito comumente utilizada é a CH50. O que é CH50? É a diluição do soro que resulta na lise de 50 % das células vermelhas do sangue cobertas por anticorpos, presentes em uma suspensão padrão.
Então o que o laboratório vai fazer e pegar a amostra do seu paciente, o soro que você mandou, eles vão começar a fazer uma série de diluições daquele material e vão adicionar a essas diluições uma suspensão contendo células vermelhas do sangue cobertas por anticorpos e vão ver se o soro do seu paciente lisa ou não os eritrócitos. Eles vão ver qual a diluição que leva à lise de metade desses eritrócitos. Isso é o que se chama CH50. E eles vão dizer que seu paciente tem 2 CH50 no soro, por exemplo, o que em outras palavras quer dizer que eles precisaram diluir 2 vezes o soro do seu paciente para conseguir 50% de lise. Isso é que se chama unidade hemolítica.
Inativação do complemento refere-se à denaturação do complemento, que tipicamente é pelo calor, mas pode ser por outros meios também, resultando em grande perda de atividade hemolítica. É importante lembrar que o complemento é termolábil. Quando você envia uma amostra ao laboratório para análise do complemento, deve ter cuidado para não expor o material à temperatura elevada porque você pode inativar o complemento.
No campo do complemento se usa muito este termo convertase. Vamos falar sobre a formação da C3 convertase ou C5 convertase. Estas são as enzimas que funcionam no componente seguinte da cascata. C5 convertase é uma enzima que vai agir em C5, C3 convertase age em C3. Estas são na verdade esterases.Mas o termo convertase é muito usado no campo do complemento.
Slide 6 – Aqui está a nomenclatura característica do complemento. Quando um componente do complemento é ativado ele é, escrito com um traço em cima. Se você vir C1 qrs com uma linha em cima do qrs, isso indica que é um componente ativado. Se você vir qrs sem a linha em cima, esta é a forma inativa da enzima, ou seja a sua forma nativa. E isso vale para todos os outros componentes.
Muitos destes componentes vão passar pelas vias do complemento. Vamos ver que eles vão ser quebrados ou hidrolizados em duas partes, uma parte menor e uma parte maior. A parte maior tipicamente se liga ao complexo de ativação ou à membrana. Complexo de ativação é o elemento que está ativando o complemento. Esta parte maior tem afinidade por membranas e é tipicamente ela vai se ligar a membrana. E a parte menor é a que vai ser eliminada. Ela vai ser liberado na fase fluida.
Quando você tem o componente do complemento quebrado nestes dois componentes, a letra b é normalmente adicionada à parte maior. E a letra a é normalmente adicionada à parte menor. Por exemplo, quando C3 for hidrolizada ela se corta em C3b e C3a. C4, em C4b e C4a.
Mas existem exceções e aqui está uma. No caso de C2, a parte maior é chamada de C2a e a menor é chamada de C2b. Houve uma tentativa vários anos atrás para tentar padronizar a nomenclatura e mudar para a parte maior resultante da hidrólise de C2 fosse chamada de C2b e a menor fosse chamada de C2a. Isso faria sentido mas não houve essa padronização. E voces podem encontrar livros texto que chamam a parte maior de C2b e outros livros que não chamam. Nós vamos chamar aqui a parte maior de C2a e a menor de C2b porque é assim que está no livro Microbiologia e Imunologia Online cujo autor é o Dr. Richard Hunt, da Universidade da Carolina do Sul. Mas não se surpreendam se vocês encontrarem alguém dizendo o contrário.
Slide 7 – Esta é apenas uma introdução sobre os vários componentes do complemento. Quando voltarmos do intervalo vamos recomeçar com as vias de ativação do complemento.